É óbvio, mas com o renascimento do obscurantismo, somos obrigados a repetir obviedades todo dia: Mudança climática é um problema real, nosso padrões de consumo não são sustentáveis e não há planeta B para o qual fugir.
Há alguns anos que a mídia tradicional nos encoraja a ter "atitudes pro meio ambiente". Coisas revolucionárias como não usar canudinhos de plástico, fechar a torneira enquanto se escova os dentes, tomar banhos mais curtos, não usar sacolas plástica no supermercado. Todas essas ações tem um valor simbólico importante. Mas a importância acaba aí. O impacto real é irrisório se comparado a quantidade de água consumida e de lixo gerado por nichos da indústria.
Esqueça Banhos mais Curtos trata desse problema, e da desinformação que nos faz crer que o peso de salvar o planeta está somente em nossos ombros, e que deixa de fora do esforço (e culpa) grandes conglomerados, organizações privadas.
Ainda no tema meio ambiente: The Turning Point — que pode ser traduzido como ponto de inflexão, reviravolta ou momento decisivo.
Mais uma obra de Steve Cutts, que conheci com um vídeo chamado Felicidade, que viralizou há pouco mais de um ano. Em Felicidade ele ironiza o estado de angústia do cidadão médio do século XXI, o desespero que nos faz correr atrás de coisas inúteis, achando que com na próxima decisão de consumo seremos — finalmente e para sempre dessa vez — felizes.
Essa treta toda ainda me lembrou de um vídeo no qual o filósofo esloveno Slavoj Zizek fala sobre como é útil, no sistema capitalista de consumo e produção, que pensemos que a responsabilidade sobre problemas ambientais é puramente nossa. E, com isso em mente, deixamos de correr atrás do governo e das empresas, reais detentores de poder. Deixando de pressioná-los para que adotem práticas menos nocivas ao ambiente. Hipnotizados pela máquina de propaganda, achamos que estamos fazendo nossa parte ao comprar num estabelecimento que se declara responsável e amigável a causas socioambientais. Nos convencemos que pagando vinte centavos a mais em um café nessa "rede sustentável", fizemos nossa parte para salvar o planeta.
Não é o suficiente.
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sábado, 4 de janeiro de 2020
domingo, 17 de fevereiro de 2019
Quem foi Chico Mendes
Conhecia o nome Chico Mendes e tinha a vaga noção de que havia sido um ativista que morreu por seu trabalho e engajamento nas questões do meio ambiente, desenvolvimento sustentável e condições de trabalho das pessoas que atuam no ramo do extrativismo.
Principalmente por ter ouvido o Xote Ecológico de Luiz Gonzaga em butecos, rádios AM e etc. Depois da declaração do atual ministro do meio ambiente sobre não saber quem era Chico Mendes, me senti obrigado a ir atrás. Mesmo não sendo um ativista do meio ambiente e tendo pouco contato com a área, qualquer situação que nos motiva a ser um pouquinho menos ignorante deve ser aproveitada ao máximo.
Fim da Recomendação do documentário sobre o seringueiro, ativista do meio ambiente e político Chico Mendes. Do próximo parágrafo até o fim agora é só reclamação, amargura e incerteza. Beijos.
No mais, continuo paralisado pela enxurrada de informação, de lama e de absurdos surreais acontecendo esse ano. Enquanto escrevo meu microfone espreita atrás do monitor (me lembrando que não tive coragem de começar o tal podcast até hoje), encostado na porta o ukulele (que parei praticar faz uns seis meses), espalhados sobre a cama os livros de alemão (com centenas de atividades que não tenho ânimo pra fazer, com milhares de palavras que não conheço).
E a lembrança constante que para aprender a escrever que eu deveria fazer isso todo dia, talvez publicar ao menos uma vez por semana, e não a cada três meses. Talvez o esquema seja a quantidade, ignorar totalmente qualquer padrão de qualidade sobre o que publicar, siente que qualquer coisa vai sair meio bosta mesmo. E torcer para, com o tempo e prática o texto e os assuntos se tornem mais coerentes. Que o texto não pule de Chico Mendes para o Muro das Lamentações online de um parágrafo para o outro.
Em momento algum tive a intenção de transformar isso aqui em um diário. Ainda quero postar coisas que me chamaram atenção, documentários, filmes, etc. Já rascunhei várias vezes sobre questões de tecnologia e desenvolvimento de software (assuntos com os quais trabalho hoje), ou abordar dúvidas sobre inglês (porque trabalhei como professor de inglês por muitos anos). Mas é bem confuso escrever para o vazio, escrever para o nada.
Enfim, até daqui x meses. Valeu e até mais.
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